terça-feira, 21 de dezembro de 2010

A relação entre as mulheres e a filosofia II

Continuando


Estive pensando...

Darcey Bussell -  primeira bailarina do Royal Ballet e suas duas filhas

Os registros que temos na literatura sobre a vida da mulher na sua grande maioria foi escrito por homens e estes podem ter colocado apenas suas interpretações e até mesmo seus desejos sendo assim temos a imagem da imagem que os homens tinham das mulheres. Não podemos tirar conclusões apenas com a visão masculina da vida das mulheres durante a história. 

Porém o que temos para trabalhar são textos feitos a partir do ponto de vista do homem.

A mulher na Idade Média:

A mulher era vista como submissa pois era temida. Considerava-se que a mulher era o pecado, a carne fraca.
O casamento não tinha nunca o objetivo de unir pessoas que se amam, ou o objetivo de dar prazer a alguma das partes, e sim o objetivo da procriação. 

A mulher quando se casava simplesmente trocava de homem ao qual tinha que se submeter (de pai para agora marido). 

A prostituição era considerada um “mal necessário”, pois curava vontades de jovens e clérigos, mas ainda assim as prostitutas eram marginalizadas da sociedade. 

As doutrinas diferentes à religião católica pregavam que a mulher poderia ter os mesmos direitos que os homens, por isso eram calorosamente perseguidas pela Igreja. 

À mulher cabia as responsabilidades domésticas, exceto no caso de camponeses e classes mais baixas, que deveriam acompanhar seu marido no trabalho feudal.

Idade Moderna:

A Idade Moderna foi um período bastante crítico para todas as mulheres ocidentais em geral, independente de classe social elas foram reprimidas em sua sexualidade, sua liberdade de expressão, sua cultura secular e seu saber acumulado por essa mesma cultura. Num sistema político e econômico patriarcal, em que o homem possui a função central e a mulher relegada ás tarefas caseiras e familiares. Para Foucault, é durante a criação do projeto de modernidade que a mulher assume o papel de mantenedora dos costumes e vigilante do processo de retidão dos filhos sendo, portanto, a peça chave na instauração do sistema panóptico de sociedade.

Em meio a movimentos liberais que ocorrem por toda a Europa durante a idade moderna a mulher emancipa-se, desvincula-se das funções caseiras e toma espaços no mercado, na divisão social do trabalho que antes eram exclusivamente masculinos, sobretudo funções de liderança. Se algum tempo atrás apenas mulheres pobres trabalhavam fora (geralmente em tarefas domésticas), o capitalismo e o processo civilizatório trouxeram a todas mulheres a necessidade do trabalho, da auto-suficiência econômica.

É também nessa época que a preocupação com o corpo, com a etiqueta doméstica, com os costumes cotidianos se tornam símbolos de diferenciação social, o que empurra as mulheres para a condição de meros reflexos do ideal masculino de beleza, não importando o quão sacrificante seja atingi-lo.

Bom daí pra frente vocês já sabem como ficou a história né?

As mulheres continuaram lutando pela igualdade, e somando atividades para tentar mostrar ao mundo que são fortes, inteligentes e capazes. 

Ninguém duvida disso, mas a realidade é que esta igualdade é uma utopia. 

A mulher conquistou o direito de trabalhar fora, mas a casa continua sendo sua responsabilidade. Quando se tem alguém para repassar a responsabilidade dos deveres domésticos, quando se é mãe tem a responsabilidade da maternidade.

Uma grande empresária que deixa em segundo plano a família é duramente repreendida pela sociedade - o filme “O Diabo Veste Prada” lustra bem esse fato. No filme tem uma fala da atriz principal que deixa bem claro isso que estou tentando explicar: 

- Se Miranda fosse homem ninguém escreveria nada sobre ela.

A fala refere-se ao terceiro divórcio da empresaria e ao fato das filhas delas sempre terem um novo “pai”. Se ela fosse um homem isso não teria tanta importância.

Bom pelo menos atualmente a mulher pode decidir ser ou não mãe! 

Mas é neste fato que ainda se encontra o grande abismo entre a mulher e o homem... A mãe aconchega desde o primeiro momento, alimenta e quanto a isso não tem o que discutir. O homem participa de fora da situação, não que sua participação não seja importante, mas a participação da mãe é imprescindível!!! É uma responsabilidade que não tem como ser dividida. 

E ai como fica o nosso plano de igualdade? 

Acredito que não deva realmente ter igualdade. Não estou defendendo as desigualdades, mas as mulheres não podem esquecer que são seres diferentes dos homens, mais sensíveis, com inteligência emocional muitas vezes superior a de muitos homens, e outras capacidades desenvolvidas através das necessidades impostas por uma sociedade machista. 

Falando como mulher agora:

Somos muito superiores em muitos aspectos, porém temos que reconhecer que em outros fica difícil competir (como em força física, por exemplo). Conciliar carreira, amor, filhos não é tarefa fácil, não...  Os homens que me desculpem, mas vocês não entenderiam isso nem com mil séculos de estudo!


Para quem quiser continuar a ler sobre o assunto esse texto é muito bom:

Continua...


sábado, 18 de dezembro de 2010

A relação entre as mulheres e a filosofia

Onde estão as mulheres na filosofia?

Tenho pouquíssimo tempo como acadêmica na área de filosofia, mas gosto e leio sobre o assunto há muito tempo e constato que existem muitos filósofos “homens”, onde estavam as mulheres???

Esta é uma questão muito mais de um ponto de vista histórico que filosófico. Para entendermos onde esteve o pensamento das mulheres, precisamos entender por onde elas andaram enquanto os homens “pensavam”. 

Ah!!! Antes que perguntem por que resolvi falar sobre este tema a resposta é:
De 14 comentários ao todo que tenho no meu blog, 13 são de homens e apenas 1 de uma mulher!

Um pouco de história, bem resumida, só para nos situarmos para a discussão:

Na Antiguidade

Na Grécia Antiga as mulheres não eram consideradas cidadãs, pois não eram considerados indivíduos que possuíssem estatuto político. O modo de vida das mulheres variava muito  em função do meio social em que estavam inseridas.

As mulheres de famílias mais abastadas habitavam no gineceu, onde eram acompanhadas pelas escravas, cujo o trabalho vigiavam. Estas só saiam de casa para assistir às grandes festas religiosas.

Já as mulheres que pertenciam a uma classe social mais baixa poderiam se sentir privilegiadas, já que gozavam de alguma liberdade, na medida em que as famílias mais pobres não podiam suportar o regime de honra. Assim sendo, as mulheres tinham que trabalhar, muitas tinham profissões como: enfermeiras, parteiras, lavadeiras, tecelãs e pequenas comerciantes…

O casamento era uma forma de aliança entre as famílias, com o objectivo de preservar as mesmas, em que a mulher era considerada um bem de troca. 

O casamento fazia com que a mulher passasse da tutela do pai para a do marido.

As mulheres Gregas deveriam cuidar do lar, bem como da educação dos filhos, devendo fidelidade ao seu marido.


sábado, 11 de dezembro de 2010

As crianças e a filosofia!

Por que criança não pode filosofar? 

Como o nosso amigo adri-filósofo diz as crianças ainda não possuem uma bagagem cognitiva suficiente para o ato de filosofar. Porém as crianças têm algo que nós adultos por inúmeros motivos deixamos de lado, a curiosidade e a vontade de desvendar o mundo.

Acredito que esta “fome” de conhecer seja o principal motivo pelo qual crianças podem filosofar. Não podemos comparar o ato de filosofar de uma criança com a de um acadêmico, por exemplo. Justamente pela sua bagagem de conceitos, crenças e conhecimentos.

As crianças fazem perguntas do tipo: de onde viemos? Para onde vamos? Quem somos? O que somos?  Essas perguntas não são a base da metafísica? O que muda é apenas a perspectiva das respostas. E conforme crescemos descobrimos outras possibilidades para responder a questões que até hoje nenhum filósofo conseguiu responder com absoluta certeza.

Não podemos esquecer que todo filósofo já foi criança um dia e com certeza teve na sua infância, adultos que o encorajassem a “conhecer o mundo”, oferecendo-lhe uma boa educação.  Incentivar a investigação reflexiva é a melhor forma de incentivar uma criança  a aumentar seus conhecimentos cognitivos.

Não entendo a diferenciação que é feita entre filosofia e o ato de educar. A minha concepção de filosofia não é apenas os conceitos dos teóricos importantes da história e sim uma postura (curiosa) diante da vida. Não sermos apenas expectadores e sim os autores da própria existência.

Não nego que para discutir filosofia seja necessário conhecer sua história para ter argumentos sólidos. Conhecer Sócrates, Platão, Aristóteles e outros pensadores será uma conseqüência natural para crianças que cresceram incentivadas a pensar e tirar suas próprias conclusões.

Tem um artigo muito interessante que gostaria que lessem!!!

“É possível a criança filosofar?”  
Autores do texto: Dora Incontri (Pós-doutoranda FEUSP) e Alessandro César Bigheto (Mestrando FE- Unicamp).

domingo, 5 de dezembro de 2010

Por que filosofar?


O ato de filosofar deveria ser ensinado antes mesmo da criança ir à escola. Em casa no ambiente familiar esta criança deveria ser estimulada a refletir sobre suas atitudes e pensamentos. Assim criaríamos cidadãos questionadores e que sem dúvida contribuirão de forma mais efetiva para o bem de sua comunidade. 

O que é filosofia? 
Como já dizia Kant não se pode definir filosofia, apenas pode-ser dizer o que é filosofar. 

O que é filosofar? 
De maneira mais simples é repensar tudo o que nos seria comum, que faz parte do nosso cotidiano. Incalculáveis são os objetos de estudo da filosofia. A começar pelo mundo que nos cerca, o universo que cerca o nosso mundo, em outro prisma o que esta dentro de nós, quem somos, o que somos, do que somos constituídos, etc.

Ensinar filosofia é ensinar um indivíduo a ser crítico, refletir sobre o que lhe é oferecido, não acreditar apenas nas aparências, investigar, destrinchar a realidade que é vista com os olhos, sentida com o tato, cheirada com o olfato. A estrada dos sentidos tem mão dupla, podem nos levar a algum lugar ou nos desviar deste.

Precisamos filosofar para chegar mais perto da verdade que pensamos ser, e não da que nos é imposta.  

A pergunta que fica para ser discutida: porque o ensino de filosofia é tão teórico e voltado apenas para os fatos históricos? As pessoas gostam de pessoas críticas? Ou preferem aquelas que concordam com tudo? 

Aguardo ansiosa às respostas!